Setor privado cobra revisões no plano de erradicação da febre aftosa

Em reunião no Mapa, participantes demostraram grande preocupação em relação ao atual plano de retirada da vacina.

O médico veterinário Sebastião Guedes, vice-presidente do Conselho Nacional da Pecuária de Corte (CNPC) e presidente da Câmara Setorial da Carne Bovina, disse estar bastante “preocupado” com os caminhos seguidos pelo Programa Nacional de Febre Aftosa (Pnefa) e defendeu uma “rediscussão imediata” das diretrizes traçadas pelo Plano Estratégico para a retirada total da vacina contra o vírus no Brasil a partir de 2023.

Guedes, que participou na última quinta-feira de reunião em Brasília promovida pela Câmara Setorial da Carne Bovina, diz não estar sozinho nessa empreitada e que busca convencer os agentes do governo federal, no caso membros ligados à área de sanidade animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a corrigirem alguns pontos fundamentais do atual plano de erradicação da febre aftosa no Brasil.

Segundo ele, é preciso estabelecer novos prazos para o cumprimento do programa, que sejam “mais factíveis” com a realidade atual dos cinco blocos da Federação envolvidos nesse plano de metas.”Nove entidades privadas participantes da reunião de quinta-feira concordaram que precisamos rediscutir alguns pontos do cronograma estabelecido pelo programa e também a geografia de onde se iniciará a retirada da vacinação”, ilustra Guedes.

Ele diz que, depois de “muito sacrifício, o Brasil venceu a aftosa”, e está há 12 anos livre de focos da doença. Segundo Guedes, apesar de não existir hoje circulação viral no território brasileiro, é preciso estar atento ao que ocorre nos países vizinhos – ele não esconde o temor de um eventual descontrole do vírus na América do Sul, a começar pela Venezuela, que vive atualmente uma profunda crise política e econômica. Na sua avaliação, mesmo com a vigilância reforçada na fronteira do país, a suposta proliferação da aftosa em Colômbia, Equador e Peru também poderia ser um facilitador para a entrada do vírus no Brasil.

Além disso, Guedes citou como exemplo da atual ineficiência do plano de erradicação da aftosa os atrasos nos cronogramas para a retirada da vacina em Rondônia e no Acre. “É preciso ser mais realista, ou seja, temos que oferecer prazos mais longos para esses Estados, algo como três ou quatro anos”.

Ainda de acordo com o médico veterinário, pode até que seja possível a retirada total da vacina até 2023, mas é necessário considerar primeiramente algumas prioridades, como a formação de um “banco de antígenos e de reserva de vacinas; a constituição de fundos indenizatórios em diversos Estados; além de aspectos epidemiológicos”.

Guedes também discorda da possibilidade de retirada da vacina pela região Sul, ou seja, pelo Paraná e Rio Grande do Sul (Santa Catarina já conseguiu status de livre de aftosa sem vacinação) – atualmente defendida por algumas pessoas envolvidas diretamente com o tema da aftosa no Brasil. “Eu penso que poderíamos iniciar a retirada pelo Nordeste, do Maranhão até Alagoas”.

Fonte: DBO


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