24 de janeiro de 2012

Livro faz radiografia da Cadeia do Algodão no Brasil

Pesquisa levantou dados inéditos sobre um dos setores mais complexos do agronegócio brasileiro que faturou US$ 37 bilhões da safra 2010/2011 e exportou US$ 947 milhões em produtos

O professor Marcos Fava Neves, chefe do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da USP (FEA-RP/USP), foi o coordenador do livro “A Cadeia do Algodão Brasileiro: Desafios e Estratégias”, elaborado sob encomenda da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). O estudo contou com a participação de quatro egressos da pós-graduação da Faculdade e de um pesquisador que desenvolve sua dissertação de mestrado na FEA-RP.

A pesquisa que deu origem ao livro mapeou o Sistema Agroindustrial (SAG) do setor calculando as movimentações do algodão e de seus principais subprodutos ao longo do processo de transformação da matéria-prima em produtos finais agregados. Para isso, foi utilizado o método de Planejamento e Gestão Estratégica de Sistemas Agroindustriais (GESis), desenvolvido pelo professor em 2004 e que já foi aplicado em outros sistemas no Brasil, Argentina, Uruguai e África do Sul.

O livro apresenta dados até então inéditos, como o faturamento de US$ 37 bilhões da safra 2010/2011 e o PIB agregado de mais de US$ 19 bilhões que a safra gerou. Neste período, o setor desembolsou US$ 7,7 milhões em impostos, divididos entre os elos do Sistema Agroindustrial (SAG), desde a venda dos insumos agrícolas até a venda dos produtos finais. Em 2010, o volume de exportações de toda a cadeia foi de US$ 947 milhões.

O estudo também levantou a massa salarial do SAG do Algodão em 2010 que, do cultivo à tecelagem, foi de US$ 787 milhões. A média salarial, de R$ 1.260,78, é 130% superior ao atual salário mínimo. Esta média salarial também é maior que a do sistema canavieiro (R$1.225,63) e a da soja (R$1.165,06).

Metodologia – O primeiro passo da pesquisa foi o mapeamento completo da cadeia produtiva do algodão, uma das mais complexas do agronegócio brasileiro devido à quantidade de produtos e agentes envolvidos. O mapeamento foi realizado com base no conhecimento prévio da equipe envolvida, em trabalhos acadêmicos e técnicos e, sobretudo, em entrevistas com representantes dos diferentes elos da cadeia, como produtores, usinas de beneficiamento, esmagadoras e indústria têxtil, entre outros.
Na etapa seguinte, a equipe quantificou os fluxos financeiros nos elos identificados, desde fornecedores de insumos até os produtos acabados. A complexidade da cadeia, as várias possibilidades de uso dos subprodutos e a ausência de informações sistematizadas fizeram desta a fase mais desafiadora da pesquisa. Esta quantificação foi coletada junto a fontes secundárias como Conab, Embrapa, Ministério do Trabalho e Abrapa e também em fontes primárias, por meio de entrevistas em profundidade com especialistas e colaboradores de empresas dos diferentes segmentos da cadeia.

Dados secundários e primários combinados em fórmulas possibilitou que o grupo chegasse às estimativas apresentadas no livro. As fontes secundárias e as fórmulas utilizadas podem ser consultadas nos anexos do livro.

“Obter informações dos entrevistados é geralmente um grande desafio, pois são dados estratégicos, relacionados ao faturamento e outras questões. Nesse ponto, o respaldo da Abrapa foi muito importante”, destaca Fava Neves, que coordenou a equipe formada pelos mestres em administração pela FEA-RP Mairun Junqueira Alves Pinto, José Carlos de Lima Junior, Vinicius Gustavo Trombin e Renato Chamma, além o aluno do Programa de Pós-Graduação em Administração de Organizações (mestrado) Julio Kyosen Nakatani.

A pesquisa foi realizada na Markestrat (Centro de Pesquisas e Projetos em Marketing e Estratégia), organização fundada em 2004 por doutores e mestres em Administração de Empresas FEA-RP/USP. Seu objetivo é desenvolver estudos e projetos em marketing e estratégia em diversos setores da economia. Registrado no CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), o centro tem referencial teórico fortemente baseado nas estratégias das organizações e do marketing.

 
Fonte: Palavras Comunicação Empresarial

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