21 de agosto de 2020

‘ECR Digital 2020’: Pecuária 4.0 se faz com gestão 4.0

A importância da gestão na pecuária 4.0 teve um espaço de destaque durante o Encontro de Confinamento da Scot Consultoria, realizado nos dias 5, 6, 7, 12, 13 e 14 de agosto. O tema foi debatido por profissionais como Raimundo Godoy (Aquila), Luiz Roberto Maldonado Barcelos (Agrícola Famosa), Sandro Viechnieski (Starmilk), Fernando Junqueira Franco (pecuarista) e Arlan Marcos Lorenzetti (Copérdia), além do professor e especialista Marcos Jank, do Insper.

O verdadeiro papel do gestor
Raimundo Godoy, diretor técnico da Aquila, destacou o papel e os passos da excelência do gestor. “Não são as empresas mais fortes ou os mais inteligentes que sobrevivem, mas sim as que melhor se adaptam. Toda instituição possui três pilares essenciais ao negócio, as pessoas, que agregam ou retiram valor, a tecnologia, que permite produzir mais em menos tempo e os processos, que são meios para se produzir resultados. Um triângulo equilátero é o que buscamos.”, destacou.

Godoy mostrou que é necessário entender o sistema e, mesmo com o avanço da tecnologia, é preciso saber como cada parte interfere no negócio. Dominar os processos que levam ao produto é fundamental e, quando não obtemos os resultados esperados, devemos rever o sistema de gestão, aplicando condutas de excelência: “O que é ambição? Como devemos nos organizar? Como está o ambiente e as evidências encontradas? Quais os resultados para curto, médio e longo prazo? Nosso time é capaz? Qual será a disciplina necessária? Qual o retorno esperado e os impactos para os próximos anos? Como atender ao compliance e atender de forma adequada?”. “Posso produzir e trabalhar com o 4.0, mas, se eu não souber trazer resultados exponenciais, nada adianta. Como dito por Thomas Edson – A genialidade é 1% inspiração e 99% transpiração.”, assim Godoy encerrou sua participação.

Gestão de operações complexas
Luiz Roberto Maldonado Barcelos, o maior produtor de melão do mundo, é sócio fundador e diretor da Agrícola Famosa. Luiz destacou que o planejamento e execução são processos de eterna aprendizagem e, no momento em que acreditamos que alcançamos a excelência e não devemos mais melhorar, ficaremos para trás. “Planejamento e execução seguem caminhos contrários. Nosso planejamento começa a ser traçado com base na busca por nossos resultados, desafios a serem enfrentados, os meios como pretendemos alcançá-los e as ferramentas disponíveis para isso, enquanto a execução segue o caminho oposto”, destacou Barcelos. Dentro do processo, a cadeia é longa, com inúmeros subprocessos que devem ser totalmente integrados, desde antes da porteira até o cliente final. E, ter o domínio total de toda a cadeia produtiva é essencial para poder atender as demandas dos consumidores.

Gestão de pessoas
Independentemente da área de atuação, trabalhar com motivação e alinhado ao propósito da empresa é a base para o sucesso. Nesse contexto, Sandro Viechnieski, sócio e gerente da área de leite da StarMilk Alimentos, mostrou a importância das pessoas no processo de produção no campo. “Nossos negócios agropecuários, por mais tecnológicos que eles sejam, sempre terão pessoas envolvidas em seus processos”, avaliou. Um dos destaques de Sandro quanto às pessoas é que “o resultado ideal está vinculado, além dos aspectos técnicos e tecnológicos, à presença de pessoas ideais no seu negócio. Mas, afinal, quais são as pessoas ideais que buscamos? São aquelas que trabalhem em equipe, fazendo o que tem que ser feito e buscando melhorar sempre, principalmente, porque querem fazer e não porque há alguém mandando-as fazer.”

Sandro mostrou como é importante reunir essas pessoas diariamente, trazer os indicadores obtidos e discuti-los, juntos. Assim, é possível mostrar aos colaboradores sua importância dentro do sistema e seu valor no negócio. “Não adianta entendermos as técnicas, os animais, as tecnologias. A real importância é fazer com que entendamos de gente. Como mensagem fundamental a essa palestra, deixo apenas uma frase: gente precisa entender de gente”, encerrou.

Gestão de custos operacionais
Fernando Junqueira Franco, pecuarista e consultor de indústrias de nutrição animal e confinamentos, destacou os seguintes componentes do custo operacional: custos variáveis, semifixos e fixos, particularizando custos agrupados, como por exemplo, R$/cab/dia. O custo operacional é difícil de ser apurado, e em função disso, não se dando a atenção necessária e negligenciando sua importância. “Alguns itens que o compõe são de difícil alteração, o que leva a uma aproximação dos custos de operação ou “chute”, o que não deveria ser dessa forma. O custo operacional, dentro dos principais custos de produção – comercial, zootécnico e operacional – é aquele que têm maior maleabilidade quanto à manipulação e, muitas vezes, o pecuarista não percebe isso.”

Fernando mostrou que há uma “balança” influenciando o custo operacional e que pode ser administrada para reduzi-lo ou não. Essa balança está ligada diretamente ao investimento e ao custo operacional. Um menor investimento pode refletir em maiores custos operacionais e vice-versa, e há uma pirâmide que sustenta essa relação, composta por: controle, recursos físicos e procedimentos.

Gestão de dados: Big data e BlockChain
Arlan Marcos Lorenzetti, gerente de suinocultura da Copérdia, apresentou o conceito de BigData e BlockChain. “BigData é um grande conjunto de dados que trabalha em consórcio para o crescimento do setor; e BlockChain é como o cartório deste conjunto dos dados, permitindo apenas que a própria empresa possa acessar e alterar os dados”. Segundo Arlan, o crescimento das agroindústrias e do setor fortaleceram a gestão ao longo dos últimos anos. O surgimento de novas tecnologias permitiu a “aposentadoria” do caderninho e, até mesmo das planilhas de Excel.

“Desenvolvemos hoje na Copérdia a gestão em tempo real, analisando os laços da cadeia e trazendo informações através do uso de diferentes softwares. As informações nos permitem uma análise do passado e presente, promovendo melhoras no futuro. Todas essas informações estão disponíveis à comunidade e contam com a segurança do blockchain, o que garante à Copérdia e seus parceiros, a confiança e segurança de que seus dados não serão manipulados, elevando a credibilidade no setor”. Arlan mostrou os impactos da inserção desse sistema de gestão, com o aumento de quase um leitão desmamado por fêmea por ano, principal índice da suinocultura, de 2014 até 2019.

O que vi e aprendi com as crises que vivi
Marcos Jank, pesquisador e professor de agronegócio global no Insper, destacou as crises em que viveu em sua vida. “A crise econômica vivida nos anos 80: hiper inflação ( de até 60% ao mês) e um custo horroroso para o agronegócio com congelamento de preços, solucionado somente nos anos noventa;  período que marca o plano Real; migração do setor agropecuário ao centro-oeste e desregulamentação da agricultura, trazendo um processo único de abertura comercial ao país. A crise sanitária de há 20 anos, principalmente a aftosa em 2006 no Paraná e no Mato Grosso do Sul; e a crise da vaca louca atípica no Brasil”. Segundo Jank, tivemos um incremento nos controles de sanidade desde então e, recentemente, a extensão da zona sem vacinação de aftosa no Brasil. “Estamos evoluindo, mas não estamos livres de efeitos relacionados a isso. Acredito que o covid-19 traz um problema maior, evidenciando a relação humano x animal x sanidade, e o Brasil, como grande exportador de proteína animal, tem papel fundamental neste assunto, devendo ser referência no controle de processos de produção”, destacou o palestrante.

Marcos finalizou sua apresentação citando a crise ambiental atual. “O desmatamento da Amazônia trouxe ao Brasil o holofote global de maneira negativa. Devemos implementar e efetivar programas de regularização ambiental, atuar na questão da titulação das terras e combate à ilegalidade”. Quem sofre com essa situação, segundo Jank, é a soja e a pecuária de corte. Por isso, é necessária uma ação sistêmica para resolver as questões empresariais e, principalmente, do setor público.

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