A presidente da Embrapa reforçou o papel da empresa na liderança das transformações necessárias para alimentar uma população mundial estimada em 9,3 bilhões de pessoas até 2050.
Ao projetar os rumos da agricultura brasileira para as próximas décadas, a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, afirmou nesta segunda-feira (28/04), durante o Agrishow Labs, que o futuro da produção de alimentos estará ancorado na ciência, na inovação tecnológica e na sustentabilidade. O Agrishow Labs é uma iniciativa de inovação com startups patrocinada pelo governo de SP. Em sua palestra magna, intitulada “O Futuro da Agropecuária Brasileira – Desafios e Oportunidades de PD&I”, Massruhá reforçou o papel da estatal na liderança das transformações necessárias para alimentar uma população mundial estimada em 9,3 bilhões de pessoas até 2050.
A trajetória da agricultura nacional, disse ela, comprova que o investimento em ciência tropical foi decisivo para transformar o Brasil de importador a um dos maiores exportadores de alimentos. “Somente o avanço científico e tecnológico é capaz de conciliar aumento de produção, conservação dos recursos naturais e maior resiliência às mudanças climáticas”, destacou.
Entre os caminhos apontados para o futuro do setor estão o uso intensivo da inteligência artificial, a expansão da agricultura digital e o fortalecimento da conectividade no campo. Massruhá ressaltou que a Embrapa já desenvolve ferramentas para integrar conhecimento científico às necessidades dos pequenos e médios produtores, promovendo inclusão produtiva e digital no meio rural.
Um dos exemplos citados é o programa Semear Digital, que implementa ações de inclusão tecnológica em 10 municípios, com foco em cadeias produtivas como mandioca, tomate, café, milho e aquicultura. Também foi destacada a plataforma e-Campo, que oferece capacitações on-line para produtores e técnicos, democratizando o acesso a informações atualizadas.
Bioeconomia e sustentabilidade – A presidente enfatizou que a agricultura do futuro será, necessariamente, mais sustentável. Nesse sentido, destacou projetos liderados pela Embrapa, como o Catálogo Nacional de Bioinsumos, em parceria com o Ministério da Agricultura, e a Plataforma Integra Carbono, que reúne protocolos, métricas e bases de dados para mensuração e mitigação de emissões de gases de efeito estufa (GEE).
Outro destaque foi a intensificação sustentável da pecuária com o sistema ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta), capaz de elevar a produtividade animal e sequestrar carbono no solo. “Estamos promovendo a restauração de pastagens degradadas, melhorando a saúde do solo e fortalecendo a resiliência dos sistemas produtivos”, afirmou.
Haroldo Junqueira Franco, da Core Inovação — hub responsável pela curadoria do Agrishow Labs —, também reforçou a importância das parcerias para impulsionar a inovação no agro. “Não abrimos mão da força desses convênios. Projetos como os apresentados pela Embrapa, que envolvem ciência, captação de recursos e o uso de IoT (Internet das Coisas), devem ser contínuos e ampliar sua atuação, apoiando startups, pesquisadores e fomentando novas iniciativas”, afirmou. Segundo Franco, a Core Inovação já participa de projetos semelhantes e reconhece os desafios de apoiar startups desde o estágio inicial. “Esperamos que esses esforços tenham continuidade, fortalecendo novas tecnologias para o agronegócio”, acrescentou.
Inovações de fronteira – Em sua palestra, Massruhá também apresentou projetos de biotecnologia avançada, como o desenvolvimento da soja editada geneticamente com a técnica CRISPR para tolerância à seca e redução de fatores antinutricionais — já aprovada pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança).
Além da edição genética, a Embrapa investe em tecnologias emergentes como visão computacional para contagem automática de frutos, inteligência artificial para identificação de pragas agrícolas, agricultura espacial em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB) e computação quântica aplicada ao agro.
Próximos passos – Entre as iniciativas futuras, Massruhá anunciou o projeto RuralGPT, que pretende criar um modelo conversacional de IA especializado em agricultura tropical, oferecendo informações confiáveis e em tempo real para subsidiar decisões no campo. A iniciativa integra a estratégia da Embrapa de ampliar parcerias com instituições de pesquisa e expandir a fronteira da inovação no setor. “Investir em pesquisa, inovação e políticas públicas que incentivem a adoção de novas tecnologias é fundamental para assegurar a multifuncionalidade e a sustentabilidade da agricultura brasileira”, concluiu.




