9 de novembro de 2020

Boas surpresas da pesquisa agrícola e do mercado!

O mercado de fungicidas protetores para soja voltou a crescer na safra 2019-2020. Este segmento vem numa espiral de evolução econômica altamente representativa nas últimas três safras. Desde o ciclo 2016-2017, a adoção média dos protetores atingiu 38%, chegando a quase 70% da área total cultivada com a oleaginosa, esta de 36 milhões de hectares nas áreas cobertas pela pesquisa BIP Soja – Business Inteligence Panel – na fronteira agrícola nacional.

O comportamento do mercado de fungicidas protetores para soja continuará a crescer e trazendo excelentes oportunidades de negócios para o canal de distribuição. O ressurgimento dos protetores nas estratégias de manejo do produtor pode ser definido como uma boa surpresa da pesquisa agrícola e do dinamismo do mercado brasileiro de agroquímicos. Vários dos ingredientes ativos que formam a base de ação dos protetores estavam praticamente no fundo das prateleiras das revendas e cooperativas e na última página do planejamento de marketing das empresas fabricantes de agroquímicos.
Até surgirem indícios de resistência do fungo causador da

ferrugem da soja aos chamados fungicidas sistêmicos, apenas para citar o cenário na oleaginosa, os protetores ou estavam perto da descontinuidade ou vinham sendo transferidos sistematicamente ao portfólio das empresas especializadas em pós-patentes. O fungo Phakopsora pachirhizi, quem diria, entrou em campo e virou o jogo. Nos dias de hoje, praticamente todas as boas empresas do setor voltaram a apostar suas fichas nos protetores. E segundo apontam os números da Spark, o setor de distribuição deve fazer o mesmo.

Esses insumos movimentaram cerca de US$ 450 milhões na safra passada, quase 40% acima do ciclo 2018-19, e tiveram ampliada sua participação, de 13% para 16%, no mercado total de fungicidas (US$ 2,85 bilhões). Em aproximadamente 70% da área cultivada com a oleaginosa, a aplicação de protetores ocorreu pelo menos uma vez na safra 2019-20. A expectativa extraída dos números da Spark é a de que esse segmento siga crescendo de maneira sustentável nas próximas safras, marcadamente ante às dificuldades do produtor para controlar à ferrugem asiática. O aumento da resistência do fungo causador da doença requer continuidade na realização eficiente do chamado manejo de resistência, a operação que pressupõe aplicações preventivas e a rotação entre fungicidas com diferentes modos de ação durante a safra.

Por isso, sobretudo, os índices de adoção de fungicidas protetores crescem de forma consistente em todas as regiões produtoras de soja. Outro dado relevante dessa pesquisa da Spark para o setor de distribuição é o seguinte: o produtor que adere ao manejo com fungicidas protetores faz em média duas aplicações dos mesmos durante o ciclo da cultura. Desejamos, portanto, bons negócios ao setor de distribuição e aos amigos da AgroRevenda nesta já desafiadora safra 2020-21.

André Dias é engenheiro agrônomo pela Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz / USP – Universidade de São Paulo) e sócio diretor da Spark Inteligência Estratégica.

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