Arroz, o protagonista que merece atenção

Além de condições climáticas que impõem perdas à lavoura, como as enchentes de janeiro no sul do País, a produção do grão precisa superar inúmeros obstáculos para cumprir o trajeto do campo até a mesa do consumidor.

A maioria das pessoas sequer imagina quantas variáveis e desafios são considerados e superados para que o principal prato do brasileiro esteja garantido nas mesas. Portanto, vamos falar verdades sobre o arroz. O cereal é o segundo alimento mais ingerido em todo o mundo e o Brasil é o maior produtor e consumidor fora do bloco asiático. Nosso suprimento anual é de 15 milhões de toneladas em média. A produção varia de 12 a 13 milhões de toneladas e, desse volume, uma parte ainda é destinada à exportação. No ano passado, 1,5 milhão de toneladas foi enviado para mais de 30 países. O equilíbrio da balança é delicado.

Questões estruturantes, tributárias, trabalhistas, ambientais, de incentivos e capitalização, assimetrias no comércio internacional, bem como a necessidade de mudança nas regras para a utilização de novas tecnologias e insumos pesam na pauta dos líderes da cadeia orizícola. Enquanto isso, os produtores não param de trabalhar e de buscar alternativas para manter a competitividade do negócio. A produtora Clarissa Rhode Lopes Peixoto, que é CEO do Grupo Pitangueira e integra a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Arroz, diz que o esforço para manter a sustentabilidade do negócio é intenso e contínuo. “Os orizicultores fazem contas, buscam inovações e sistemas de diversificação da cultura para evoluir, diluir custos, avançar em questões de qualidade e ganhar competitividade. Se a gente descuidar em qualquer condição, arrisca toda a saúde econômica da nossa atividade”, explica Clarissa.

A colheita do Grupo Pitangueira chega a 50 mil toneladas de arroz por ano, confirmando sua posição como uma das maiores produtoras do Rio Grande do Sul. A safra é desenvolvida em terras próprias no município de Itaqui e várias áreas foram diversificadas com plantio de sementes de alta qualidade e variedades especiais de arroz, com identificação de origem, destinadas a atender a uma crescente demanda pelo mercado gourmet e funcional.

Uma parte do produto Pitangueira é exportada e outra abastece mercados de várias regiões do Brasil. Segundo Clarissa, as vendas externas são fundamentais para regular a oferta e a demanda. Por isso, a abertura de mercados e o estabelecimento de novos protocolos para exportação é uma reivindicação prioritária do setor. O recente acordo com a União Europeia e o fim da isenção dos grãos do Mercosul são medidas positivas, porém, na pauta dos orizicultores, há muitas outras questões urgentes relacionadas à regulamentação interna e à promoção de eixos estruturantes.

“Mantemos uma elevada expectativa de que a pauta do segmento seja prioritária para o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Questões como assimetrias de mercado, endividamento dos produtores e carga tributária nociva colocam a nossa atividade em risco. É preciso reestabelecer a sustentabilidade da cadeira produtiva do arroz. A proposta de antecipar a reforma tributária para produtos da cesta básica é uma das ações que pode ajudar no começo de uma mudança nesse cenário”, reforça a produtora.

Sobre o Grupo Pitangueira – É referência na agricultura brasileira com um forte trabalho na cultura de arroz irrigado. Instalações modernas e investimentos permanentes em melhoria contínua e inovação sustentam uma safra anual de 50 mil toneladas, exclusivamente em lavouras próprias. O Arroz Pitangueira é um dos líderes na produção gaúcha e encabeça muitas pesquisas do setor. A diretora do Arroz Pitangueira, Clarissa Rhode Lopes Peixoto, é membro da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Arroz e uma atuante defensora da atividade, que emprega milhares de pessoas e garante alimento a toda a população brasileira e mundial. Igualmente referência é a seleção de bovinos da raça Braford do Grupo Pitangueira. O plantel, considerado a marca do Braford brasileiro, tem uma história que se confunde com a trajetória desses animais no País. A Pitangueira foi pioneira na comercialização da genética Braford no Brasil e está presente em 70% do território nacional. Seu fundador, o criador Pedro Monteiro Lopes, é também um dos idealizadores da Conexão Delta G, o mais antigo programa de melhoramento genético do País e com o maior banco de dados. O rebanho também é aprovado pelo Ministério da Agricultura com o CEIP – Certificado Especial de Identificação e Produção e se destaca pela rigorosa seleção, sempre voltada para a produção de carne de qualidade a partir da criação a pasto. O Grupo Pitangueira é o maior vendedor de touros Braford e o segundo maior vendedor de reprodutores taurinos do País e realiza seu leilão tradicional sempre na primeira semana do mês de outubro.