20 de julho de 2020

Abiove rebate estudo da Revista Science sobre ‘soja contaminada’

O presidente da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), André Nassar, deu entrevista ao Notícias Agrícolas nesta segunda-feira (20) para esclarecer alguns dados divulgados pela revista científica Science sobre soja brasileira “contaminada pela desmatamento”. Segundo ele, trata-se de um conceito equivocado. Nassar inicia explicando que o estudo começa identificando os imóveis onde há – ou não – desmatamento e, na sequência, sobrepuseram um mapa de produção de soja na tentativa de cruzar os dados. “Ou seja, eles não olharam se a soja foi plantada em uma área que tem desmatamento ilegal, eles simplesmente identificaram em uma área sem soja, do mesmo imóvel, o desmatamento ilegal. E atribuíram à soja essa ilegalidade”, diz. Nesse momento é que se define o conceito de soja “contaminada” pelo desmatamento ilegal.

Outra base de dados utilizada pela Science é o de estimativa de quanto de soja foi exportada de cada município do Cerrado e do Bioma Amazônia, estimando ainda quanto disso está ligado ao desmatamento ilegal. Assim, o presidente explica ainda que ao utilizar estes parâmetros, a publicação acaba por romper com todo o monitoramento que vem sendo feito pela Abiove, que mantém as compradoras de soja brasileira sem adquirir qualquer lote deste produto. Mais do que isso, reforça a importância da determinação da área – o chamado polígono – onde está sendo produzida a oleaginosa. “Se o Ibama tivesse embargado todas essas propriedades que eles identificaram, toda essa soja que está nessas propriedades e que eles afirmam estar potencialmente contaminada, estaria potencialmente autorizada porque o polígono teria sido embargado pelo Ibama e o restante estaria legal”, explica, voltando a dizer que é isso que diz a legislação.

Números da Moratória da Soja apontam que são 88 mil hectares de soja plantada em área desmatada no Bioma Amazônia em uma área plantada de 5 milhões, ou seja, “falamos de 1%”. No Cerrado, “identificamos ao redor de 400 mil hectares com soja plantada em área desmatada de 2014 para cá, lembrando que o Cerrado tem 18 milhões de hectares com soja”, complementa Nassar. E ele afirma ainda que, portanto, ao observar somente a área com a oleaginosa, “o desmatamento com a soja é muito, muito, muito menor e jamais daria 20%”, diz. “Para dar mais de 20% na exportação, teria que olhar o imóvel todo e sair da área de soja, olhando toda a propriedade”.

Da mesma forma, André Nassar critica o conceito da “contaminação”, e afirma que o papel do exportador, que vem sendo feito com responsabilidade e estudo, de garantir que o produto exportado seja sustentável. “Nós somos como Abiove vamos contestar a parte da contaminação. Não vamos contestar escrevendo artigo pra Science, vamos contestar mostrando que aquelas premissas não foram lastreadas em evidência. A análise que eles fizeram foi feita sob uma crença, uma hipótese de que se existe soja em uma propriedade com desmatamento ilegal essa ilegalidade é atribuída à soja. A outra coisa foi o cálculo de desmatamento ilegal nos imóveis rurais, independente do produto, que é 90% do estudo. Os autores disponibilizaram todos os mapas. Tem que ter gente profissional usando essas imagens analisando e validando, verificando se a análise deles foi correta ou não. Se foi, a meu ver, essa lista de cadastros tem que ir pro Governo Federal e o governo tem que embargar, como a lei manda”, diz Nassar.

Mais do que isso, o presidente da Abiove explica também que é preciso mostrar como o combate a esse desmatamento ilegal tem sido feito, na contraprova do que o estudo mostra. “Isso é muito ruim para a nossa imagem”, diz. E lembra também que os clientes do Brasil ainda não fizeram uma cobrança sobre a eficiência da Moratória da Soja, já que ela segue efetiva, principalmente sobre informações referentes à soja. O estudo da Science mostrou ainda que, ao observar o estado de Mato Grosso, por exemplo, é possível observar que mais de três mil propriedades que possuem excedente de Reserva Legal, ou seja, que podem desmatar. Desse total, apenas 125 possuíam autorização de supressão. “Ou essa autorização não está sendo apresentada – está se culpando gente errada – ou essas autorizações estão demorando muito para a emissão das licenças. A autorização tem que ser emitida ou o produtor cai na ilegalidade. Temos que olhar estas coisas também porque o produtor pode estar sendo prejudicado pela demora dos órgãos ambientais”, conclui o presidente da Abiove.

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