A evolução do plantio do arroz no sul e sua resistência a alguns herbicidas

Nos últimos dez anos a produtividade do arroz irrigado aumentou no Rio Grande do Sul (RS) como nas outras regiões do país. No sul ela chegou a atingir um patamar cerca de 8t por hectare. Enquanto em algumas propriedades essa marca chega até 10t hectares.

Um dos motivos referentes ao incremento na produtividade dessas regiões é a adoção de novas práticas como o manejo que estão sendo melhores utilizadas, concentrando a época de semeadura entre os meses de setembro e outubro, realizando o preparo antecipado do solo, a nutrição ideal para alcançar altas produtividades, o controle precoce de plantas daninhas e irrigação das lavouras quando as plantas atingirem de 3 a 4 folhas.

Mas, ainda com a inclusão das boas práticas é imprescindível observar a evolução do arroz-vermelho e o surgimento de outras plantas daninhas, que persistem por terem adquirido resistência aos herbicidas ALS, que podem evoluir por não serem totalmente controladas pela tecnologia Clearfield. “Isso se dá em decorrência do uso sistemático de herbicidas inibidores da enzima Acetolactato Sintase (ALS) na lavoura de arroz irrigado do Rio Grande do Sul (superior a 90%), considerando os herbicidas utilizados no Sistema Clearfield (70% área plantada)”, explica Jorge Rodrigues, desenvolvedor de mercado Sul da UPL.

Além do arroz-vermelho, que possui resistência aos herbicidas no sistema Clearfield, outras duas importantes daninhas também já estão identificadas como não controladas por inibidores da enzima ALS, são elas Echinochloa sp e Ciperus iria.

“Em maior ou menor grau, a presença destes biótipos de capim-arroz estão presentes em todas as áreas semeadas com arroz no Estado. Já a ocorrência de biótipos de CYPIR resistentes a este mecanismo de ação é mais recente e mais localizado, porém também já está presente em todas as regiões e se dispersa com muita rapidez, uma vez que, segundo dados do Instituto Internacional em Pesquisa de Arroz (IRRI), cada planta tem o potencial de produzir 70 mil sementes”, explica Jorge.

Para evitar a resistência e auxiliar no incremento da sua produtividade lançamos abaixo algumas dicas importantes de manejo no arroz.

1) Em áreas onde o problema com o arroz-vermelho (espontâneo) está instituído, onde encontramos parcela dos biótipos resistentes aos herbicidas imidazolinonas, a operação de manejo pré-semeadura ou pós-semeadura em dessecação no chamado ponto de agulha do arroz, são práticas que devem ser bem realizadas para que se elimine ao máximo esta planta daninha até a plena emergência da cultura sem a interferência destas competidoras. Recomenda-se Gliphotal em mistura com pré-emergentes (no ponto de agulha), que pela UPL pode ser realizada com a utilização de Zaphir.

2) Feito isso, com nenhuma ou pouca mobilização do solo, a ressurgência de arroz-vermelho acaba sendo menor e, a possibilidade de sucesso no controle da espécie é bem maior com o uso dos herbicidas específicos do grupo das imidazolinonas como o Zaphir em cultivares resistentes a estes herbicidas;
3) No momento da dessecação em ponto de agulha do arroz, o uso dos herbicidas pré-emergentes (clomazone ou pendimethalin) são fundamentais para que os eventuais atrasos na entrada da água não prejudiquem o bom controle inicial do capim-arroz e outras gramíneas como milhã, papuã ou capim pé-de-galinha; Para o controle pós-inicial dessas gramíneas o recomendado é o uso de Stam; outra opção que a UPL traz para esse mercado é o Stampir que vão atuar no controle do grupo de gramíneas, além de também controlarem as cyperáceas (Cyperus iria).

Os herbicidas pré-emergentes permitem maior flexibilidade e tempo para a aplicação dos herbicidas pós-emergentes que vem para complementar o manejo. “Principalmente para os de contato como o Stam e Stampir da UPL, ou os sistêmicos que exigem estágios precoces (ideal antes do perfilhamento) das gramíneas para maior sucesso do controle”, orienta Jorge.

Para concluir o controle e manejo adequado chega o momento de realizar o complemento com a entrada da água após a aplicação dos herbicidas pós-emergentes, uma vez que o efeito físico da lâmina de água é fundamental para que se evite novo fluxo de germinação das infestantes. “Sempre estude cada caso junto ao seu Engenheiro Agrônomo ou consultor para entender o que é mais recomendado para a sua cultura. Procure também sempre verificar a qualidade das soluções que serão utilizadas e a forma de uso autorizada no registro e na bula dos produtos nos órgãos competentes”, pontua Jorge.
Como se prevenir para não sofrer com a queda da produtividade?

Dentro do programa de manejo de gramíneas, em áreas aonde estes escapes vem ocorrendo com frequência, é necessário implantar um manejo onde se inclua outros herbicidas pós-emergentes com potencial graminicida como o STAM 800 WG E STAMPIR 380 EC. Por fim, algumas recomendações devem ser seguidas quando falamos em STAM e STAMPIR, como orienta Jorge abaixo:

A) Estágio da gramínea deve ser precoce entre 2 – 4 folhas (Estádio V2-V4 da cultura arroz);
B) Entrada de lâmina de água na área aplicada deve ser mais o mais rápido possível (ideal que seja em 72 horas após aplicação);
C) Associar o herbicida com pré-emergente (clomazone ou pendimethalin) para controle mais eficiente nas taipas;
D) Evitar aplicação do herbicida até 7 dias de uma aplicação de inseticida organofosforado ou 25 a 30 dias se seu inseticida usado for carbamato por quebra de seletividade;
E) Não aplicar o herbicida em plantas daninhas sob estresse hídrico, por frio ou por estresse de luminosidade (muitos dias nublados no período de aplicação);
F) Aplicar herbicida somente se não houver possibilidade de chuvas de até 8 horas após a aplicação.